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Os espetáculos de Natal das escolinhas

Escrito em 03 de janeiro de 2023

Os espetáculos de Natal das escolinhas

Ai.... os espetáculos de Natal... Não me senti bem.

O Natal é experienciado pelas crianças com muita alegria e animação e, para os pais, é uma época com um encanto especial. Estão a chegar as férias e, com elas, as tardes passadas a escrever a carta ao Pai Natal e a encontrar o presente perfeito para toda a família.

Numa sala cheia de pais e familiares, as crianças apresentaram, com a ajuda das educadoras, pequenas peças de teatro, para celebrar a quadra festiva e lembrar aos presentes o verdadeiro significado do Natal.

Quando a Beatriz andava na creche não se fazia espetáculo/festa de Natal, apenas se fazia no final do ano para comemorar isso mesmo, o fim de um ano cheio de aprendizagens. brincadeiras e, com uma pequenina peça ou canção, lá mostravam aos papás o quão crescidos estavam em cima de um palco que os assustava mais do que sei lá! Sempre foi tranquilo, ela nunca chorou, ficava com os olhos muito esbugalhados enquanto olhava para a quantidade imensa de pais, talvez até à nossa procura. Nunca fiz questão de acenar ou esbracejar, eles são muito pequeninos, não sabem gerir as emoções e podia ter de assistir a todo um espetáculo de rios de choro, não obrigada!

Com a Carolina foi diferente. Escola diferente por isso sim tivemos espetáculo de Natal. Que me perdoem os papás e mamãs que deliram com estas Festinhas mas acredito igualmente que na minha situação quereriam, tal como eu, pegar na criança e sair de lá a correr (que foi até o que fizemos!). 

Fomos buscar a Carolina à escola, reforcei o lanche para que ela estivesse bem até à hora e levámo-la diretamente ao local onde iria decorrer o espetáculo pelas 16h30. No meio da confusão (normalíssima nestas festas, louvadas educadoras e auxiliares que tanto conseguem!), a menina lá foi com uma auxiliar pela escadaria fora para se preparar para o seu espetáculo. 

Na hora da entrada no espetáculo, entre atropelos de bisavós, avós, pais e mães que mais parecia estarem a correr para o concerto do Tony Carreira e garantir um lugar à frente (nada contra... mas caramba...), todos subimos e sentamo-nos, sem lugares marcados, era quem chegasse primeiro, mal entramos no pequeno anfiteatro vejo ao longe (sentadas à frente do palco e viradas de costas para os pais) todas as crianças da instituição onde a Carolina anda. Avistei a nossa pimpolha ao longe e tentei por tudo que ela não me visse, mas dada a situação era praticamente impossível e pumba! 

Olhou para mim. Ficou muito séria. A Beatriz acenou-lhe. O lábio inferior dela estremeceu, beicinho e zau! Choro pegado com direito a um olhar de tristeza imenso que me corroeu por dentro (disfarcei...). No segundo a seguir vejo a educadora dela a puxá-la para o seu colo e tentar acalmá-la. Perceberam que a Carolina não foi a única e puxaram todos os meninos pequeninos para um canto onde se fechassem umas cortinas eles ficavam tapados e, dessa forma, pensaram, que seria melhor. Não foi, mas percebo o esforço. 

O espetáculo teria de começar às 18h, começou eram 18h30. Só terminaria pelas 21h. 
As crianças continuavam a chorar. Todos os pais ouviam. Doía. 

Começam as primeiras peças. Berros. Continua o espetáculo entre palmas e músicas natalícias, entre risadas e muitas fotografias de orgulho dos papás e mamãs. O choro continuava. Faltavam 5 peças para a sala da Carolina atuar. Suspirei e rezei, desculpem, que todas as outras peças fossem super rápidas. 

Comecei a sentir-me mal, a sala da Carolina berrava em coro, choros em desespero de quem estava saturado de ali estar. Até eu estava farta de ali estar imaginem crianças de 2 anos que lá estavam há quase 2 horas e viram todas os pais quando tudo começou. No meio das peças (que eu já nem conseguia ver), ouvi o choro dela, aquele choro de muito incomodo, não eram fitas, nós mães sabemos né? Olhei para o Nuno e ele arregalou os olhos de surpresa e saiu-me "Não quero estar aqui, isto não faz qualquer sentido, eles estão desesperados a chorar e nós egocêntricos aqui à espera de um espetáculo para quê? Ela não está bem!"

Mas ela ia entrar a seguir.... o que fazia eu? Ia buscá-la? Ela era a seguir....

E foi. Ela e todos os coleguinhas taditos, todos com os olhos esbugalhados em cima do palco, pouco ou nada fizeram, por maior que tenha sido o esforço da educadora (louvada!), zero, olhinhos brilhantes e estonteantemente cansados. Todos. 

No início do espetáculo avisaram que só os bebés até 1 ano seriam entregues aos pais, que fora isso ninguém seria entregue e teriam de esperar até ao final do espetáculo. Nem quis saber. Quando termina a peça, vejo o Nuno a levantar-se e ir direto ao local escondido onde estavam os meninos. Foi o Nuno e todos os pais, parece que todos estávamos a sentir o mesmo porque só visto! Quando as crianças viram os pais, todas, sem exceção, deitaram-se imediatamente no ombro do género "não me largues por favor". 

Vejo o Nuno na minha direção e quando conseguimos falar diz ele "A educadora até agradeceu, disse que estava desesperada ali atrás com eles que não os conseguia acalmar de nenhuma forma." 

Não esperei pelo final do espetáculo. Não consegui. Só queria pegar nela e fugir. E foi exatamente o que fizemos. 

Senti-me hipócrita por sujeitar a Carolina tão pequenina a um espetáculo de Showoff que só é feito para os pais, para engrandecer todo o orgulho dos pais, e as crianças ali a chorarem quase 2 horas e meia... seguidas... sem parar, aos berros... 

Talvez devia ter ido mais cedo buscá-la não sei... Sei que não fui a única em desespero com a situação. Não sei se a volto a sujeitar a isto. 

Fui a um espetáculo de Natal. Zero fotografias. Zero vídeos. Enfim... para que serve mesmo?


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